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Romantizar a gravidez não é novidade nenhuma. "Ai que linda sua barriga!" "Nossa porque você está tão mal humorada? Você está grávida, deveria estar contente." etc e tal. Aos olhos de quem nunca a enfrentou no próprio corpo, a gravidez pode parecer algo realmente maravilhoso - um serzinho crescendo dentro de você (ok, isso é muito um pouco assustador). Entretanto, após conviver com a minha irmã grávida, eu tive a visão que não é tudo isso. Por isso o texto de hoje é pra você, mãe que está passando pela gravidez mas sem todo o glamour que esperava.


Deixa eu te contar: esse glamour não existe. Bem, pelo menos não o tempo todo como fazem parecer naqueles ensaios fotográficos. Vai ter uma explosão de hormônios acontecendo em você - e a TPM vai parecer um tropeção na rua perto desse engavetamento de 1Km. Seu peso vai aumentar - sim, tem uma criança ali dentro, mas pode ser que o número na balança aumente 3Kg enquanto ele ainda é menor que uma ervilha, e isso pode acabar mexendo com seu emocional, que já está fragilizado pelo engavetamento ali citado. As coisas ao seu redor, que antes pareciam pequenas poeirinhas no ar, podem chegar a proporções imensuráveis aos seus olhos. E vem cá, deixa eu te falar: é normal, você não está sozinha.

Talvez você esteja cansada demais para carregar todo o peso de uma gravidez - e não falo só o da barriga. Talvez você não suporte mais familiares, amigos e até desconhecidos te dando "conselhos" sobre o que você deve ou não fazer. Talvez você não queira a mão de mil pessoas passando na sua barriga. Talvez o movimento do bebê chutando e deformando sua barriga esteja te assustando até mais do que você pensa que deveria. Talvez as estrias, a linha negra e os seios inchados pelo leite estejam tirando toda e qualquer vontade sua de fazer um belo ensaio fotográfico, como aquelas mães que não tem uma mínima marca na barriga perfeitamente redonda.

Mas olha aqui mulher, eu vou te falar que apesar de tudo que você está enxergando, passando e ouvindo - você continua sendo mais que isso. Vou te falar que as suas estrias não tiram a beleza do teu sorriso quando você deita naquela poltrona extremamente confortável e pode relaxar os pés. As falácias sobre o que você deve ou não deve fazer jamais irão tirar a liberdade da tua felicidade, a tua liberdade de fazer o que tu achas ser melhor pro teu/tua filho(a). A tua escolha sobre a forma como teu filho vai vir ao mundo, se será parto normal, humanizado, cesariana, ou seja lá o que você decida fazer, nada disso fará do teu filho melhor ou pior - tenha a certeza de fazer o que você achar melhor e cercada de pessoas que a amam e respeitam, isso é tudo que você precisa.

Infelizmente, vivemos numa sociedade que transborda pessoas sem a famigerada "noção", também conhecida como "bom senso". Mas eu repito: mulher, tu és muito mais que isso! Respira fundo, acredite na tua força e faça o famoso "sorria, acene e ignore". Mas se não der certo e você acabar explodindo com alguém - tudo bem também, quem sabe assim a pessoa aprende, não é mesmo?

Por fim, acredito que a maior dica que posso dar neste momento é: faça aquilo que você acredita ser o melhor para você e seu bebê e assim, você evita arrependimentos.

P.S.: Talvez venham me dizer que eu não tenho voz para falar sobre esse assunto, já que grazadeusa eu nunca estive grávida. Entretanto, minha intenção aqui não é roubar o lugar de fala de ninguém e se o fiz, peço perdão e que me avisem, para que possa revisar o post. Espero que entendam que tudo dito neste post é apenas uma tentativa de dar um pouco de conforto para as mães que estão passando por um período de instabilidade emocional e que podem não estar lá muito felizes com a situação.


Hoje eu tive meu primeiro surto. Hoje eu me deixei gritar, jogar tudo por aí, chorar e libertar meus pensamentos de cabeça quente. Hoje eu gritei, disse que ia matar alguém enquanto jogava meu caderno contra a parede - e só não joguei o celular porque é novo ainda. Hoje eu estava sozinha em casa surtando brutalmente por algo inútil, que não merecia nem 1/10 da raiva que emanava de mim. Hoje eu me vi explodir de raiva como nunca me imaginei fazer.

Hoje eu não achava a carteirinha do ônibus, ela sumiu do único lugar em que devia estar. As lágrimas não se permitiam ser presas. Os gritos? Muito menos. Hoje eu estava sozinha em casa e explodi como se estivesse só em todo nosso universo. Hoje eu senti o alívio que é expor toda essa adrenalina. Hoje eu quis quebrar tudo e, por sorte, tinha alguns objetos em mãos pra jogar na parede. Hoje eu não quebrei nada além da barreira entre meu ego e superego e me deixei esvair por alguns instantes.

Hoje eu quis quebrar o mundo e tudo que se relacionasse a ele, senti que nada nem ninguém poderia conter todas as explosões de sentimento que sentia em meu peito. Hoje eu me aliviei de todas as TPM's que me prendi, dos choros que guardei, dos gritos que não dei.

Hoje eu estava sozinha, sem perigo de machucar ninguém - fosse por algo físico ou por meras palavras - hoje eu soltei meus instintos e vi o mundo com novos olhos - os olhos de alguém sem limites sociais. Pude ver e sentir o mundo como um predador que caça sua primeira presa, pude me abster de todas as correntes que um dia me prenderam e - mesmo que por apenas alguns instantes - me senti realmente livre.

Na hora, dominada por uma onda de sentimentos negativos, quis explodir junto com tudo o que sentia e alguns minutos depois - entre lágrimas e a bagunça formada no quarto - desisti dos objetivos da noite como se nada mais pudesse dar certo no mundo. Após o grande BUM de adrenalina, caí em prantos na cama como se meu mundo inteiro fosse ser destruído após minha falta na faculdade. Não que precisasse fazer muito sentido já que, naquele ponto pós tchakabum, nada mais fazia sentido - eu mesma não sabia porque havia feito tanto escândalo.

Com tantas coisas jogadas entre os tacos do chão do quarto, o sentimento de impotência me dominava e de tudo eu já havia desistido. Não sendo o bastante, a única pessoa que poderia saber onde minha ben(mal)dita carteirinha se encontrava, tinha o telefone impossibilitado de receber ligações. Minha mãe teimava em me mandar ficar calma e se recusava a me deixar sair do telefone com a rapidez que eu desejava - eu só queria avisá-la e me livrar novamente para chorar em paz.

O desfecho disso tudo? Eu, por fim, achei a ben(mal)dita da carteirinha em um lugar em que demorei para procurar - onde ela não deveria estar - e celebrei muito o atraso do ônibus. Porém meu estresse não poderia terminar aí. Sorte a minha ter surtado antes, sozinha. Os próximos estresses foram muito mais fáceis de lidar depois de ter tido um ataque presa no meu quarto.

A moral disso tudo? Boa pergunta, acho que foi um aprendizado - com muita sorte - sobre guardar os bad feelings por tanto tempo e ver que, por melhores que nós possamos tentar ser, todos temos um limite e este pode estourar de uma forma que jamais esperaríamos. Eu dei a sorte de ter um momento destes sem grandes desastres - além das consequências de um alto nível de estresse pelo resto da noite - e sem prejudicar ninguém ao meu redor, mas nem sempre podemos contar com a sorte do destino, não é mesmo?

Quem mais já passou por algo parecido? Tem dicas pra ajudar os coleguinhas que podem - ou não - passar por algo assim? Deixa aqui nos comentários pra ajudar o mundo a ser menos estressante e mais amorzinho!