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Não, eu não assisti nenhum dos episódios da nova sensação da Netflix, 13 Reasons Why - e nem pretendo. Logo que me interessei em saber de sua existência e das razões de tanto sucesso, percebi que não era uma série feita pra mim, assim como não é pra muita gente e, infelizmente, muitas dessas pessoas estão assistindo.


Para os que vivem em algum outro planeta e ainda não sabem do que estou falando, a nova série da Netflix trata sobre uma adolescente que cometeu suicídio e deixou 7 fitas, com mensagens para 13 pessoas que teriam de alguma forma levado ela a tirar a própria vida.

No começo, não me interessei em ver pois quando escolho uma série para assistir é para buscar diversão e relaxamento, é um momento de prazer meu e raramente quero foder minha cabeça pensando em coisas pesadas. Em seguida comecei a ver alguns relatos de pessoas que assistiram à série estavam se sentindo cada vez pior. Não sendo o bastante, surgiu o relato de uma psicóloga falando sobre a série e sobre as irresponsabilidades contidas nela.

É claro que há os avisos de conteúdo pesado e tudo mais mas, mesmo assim, há pessoas que não conhecem o próprio limite e, infelizmente, caíram nas graças de assistir e ativarem gatilhos terríveis. Em umas notícias que, sinceramente, não sei se é puro marketing ou não, temos informações que o número de ligações para o CVV (Centro de Valorização à Vida) duplicaram após a série. Isso pode ser encarado de duas formas:
  • As pessoas que precisam estão buscando mais ajuda, o que é ótimo
  • Mais pessoas tiveram gatilhos acionados e, por isso, estão precisando de mais ajuda, o que não é tão bom
Agora qual destes lados é o mais real, acho que nunca saberemos. Hoje mesmo li uma postagem do crítico de cinema Pablo Villaça, alertando sobre a série.


Aconselho a leitura desta postagem e dos links internos, com a própria crítica dele sobre a série e sobre a explicação do Efeito Werther e sua força.

Efeito Werther em um resumo tosco: no séc. XVIII o autor Johann Wolfgang Goethe escreveu um livro onde o protagonista comete suicídio ao fim da história. Após a publicação, o número de suicídios aumentou drasticamente. O mesmo aconteceu após as mortes de Marilyn Monroe e Kurt Cobain. O efeito Werther é justamente o aumento do número de suicídios que acontecem após um caso famoso. Para ler e entender melhor e ver isso sendo explicado de uma forma decente: https://t.co/WACwOenqLU

Eu, por não ter assistido à série, não posso opinar em questões mais aprofundadas. Entretanto, li muitos relatos que giram em torno dela e gostaria de tratar sobre as sequelas que ela deixa.

Como disse anteriormente, muitas pessoas não conhecem os próprios limites e, em diversos casos, o indivíduo pode acreditar que está em condições de assistir algo tão explícito quando, na verdade, não está e após projetar todos os acontecimentos da série em sua mente, poderá ter resultados avassaladores.

A professora de psicologia Airi M. Sacco também trouxe uma reflexão intensa sobre a série. Foi o primeiro post que vi sobre 13 RW que apontava as consequências negativas da série e, sinceramente, mesmo sem assistir os episódios, pude concordar bastante.



Um dos pontos tratados por ela e que me fizeram refletir foi sobre a cena do suicídio de Hannah. Aparentemente, a série mostra explicitamente  o procedimento, fornecendo praticamente um tutorial de "como se matar" para um público enorme. 

Muitos vão argumentar dizendo que quem quer se matar acha facilmente isso na internet, mas mostrar na cara das pessoas pode ativar alguns gatilhos mentais que a levem a pensar nisso, aumentando significativamente as chances de uma tentativa de suicídio.

Outro ponto analisado por ela e que me fez refletir bastante foi sobre a romantização do suicídio nessa série. Pode não parecer romantizado, mas é. A série transformou o suicídio em uma forma de vingança, de trazer aprendizado para o mundo. "Se a Hannah deu uma lição neles, por que eu também não posso?". 13 RW fez do suicídio não uma fuga que poderia ser tratada com outras alternativas (tratamentos psicológicos e psiquiátricos, apoio familiar e busca de mudanças das situações, por exemplo), mas uma forma de mudar os outros, de causar um impacto no mundo.

Acredito que em nenhum momento os produtores da série quiseram afetar negativamente a população e os telespectadores. Acredito de coração que as intenções foram as melhores do mundo mas também acredito que houve falta de precaução. Infelizmente, um aviso e outro no início do episódio não é suficiente. Acredito que não houve pensamento suficientemente focado nas consequências negativas da série e da forma como foi realizada. 

Antes de finalizar essa postagem, eu gostaria de pedir encarecidamente a todos os leitores que pensem seriamente antes de assistir 13 RW. Pense em tudo que a série pode trazer pra você, os possíveis gatilhos, as possíveis consequências e, na dúvida, não assista. 

Peço também que aqueles que se sentirem mal e tiverem qualquer traço de pensamento suicida em suas mentes, procurem ajuda. A saúde mental é tão importante quanto a física. Não é frescura, não é besteira, PROCURE AJUDA! 

O Centro De Valorização À Vida (CVV) está disponível para todo mundo pelo site http://www.cvv.org.br/index.php e pelo telefone 141 - ele trabalha com voluntários especializados para ajudar todos que o procuram!

Em meio a tanto caos que cerca nossas vidas, o número de pessoas fazendo tratamentos psiquiátricos pra X transtornos mentais é indubitavelmente maior. Com esse aumento vem também o crescimento do julgamento, já que as informações não se proliferam proporcionalmente como o número de pacientes, infelizmente. Acredito que nos últimos anos a venda de antidepressivos - para enxaquecas, ansiedade, depressão, etc - tenha gerado um lucro enorme para o comércio farmacêutico e trouxe consigo a ilusão de serem a causa da felicidade, o que foge totalmente da realidade - então bora bater um papo sobre isso?


Posso dizer com muita certeza que a sertralina - medicamento que eu tomo - e outros antidepressivos não trazem felicidade nenhuma, o que acontece de verdade é que ela ajuda a regular os nossos neurotransmissores. Essa regulagem também não é a causa da felicidade, mas é o começo para voltarmos a reconhecê-la - assim como outros sentimentos. 

Vamos pensar na nossa mente como um computador e nossos sentimentos são programas que instalamos e rodamos neles. Em certos momentos da nossa vida, nosso software pode estar incompatível com o programa felicidade.exe e, a partir daí, podemos ou passar normalmente por isso - em uma mente sem nenhum transtorno, os neurotransmissores atualizariam o software sozinhos para que tal programa voltasse a rodar - ou precisamos que um técnico (psiquiatra) entre com processos de atualização (medicação). O programa está ali tanto quanto a felicidade está em nossas vidas mas, às vezes, nossa mente se torna incapaz de reconhecê-la e senti-la, por isso deixamos de aproveitar coisas que antes nos traziam tantas alegrias.

O que a medicação faz em nossa mente não é a instalação de programas, mas sim uma atualização para a compatibilidade de nossos sentimentos com a nossa cabeça. Muitas vezes nossa mente chega num ponto onde se torna incompatível com qualquer sentimento - não há felicidade, raiva, tristeza, nada - o máximo que se pode definir disso é a indiferença e cá trazemos mais uma prova que esses remédios não são drogas de felicidade, já que com eles nós voltamos a sentir tudo - até as coisas negativas, e está tudo bem com isso.

Assim como um computador precisa de diversos programas pra rodar nós também precisamos. A vida num todo é feita de puro equilíbrio - luz e sombras, doce e sal, bem e mal - e nós precisamos ter de tudo um pouco para mantê-lo. É claro que ninguém gosta de ficar mal, mas o mal também é necessário por diversas razões, seja para aprender algo ou valorizar o bem, nós precisamos disso. Eu mesma já falei sobre a necessidade que temos de nos frustrar e isso também se encaixa aqui - muito bem por sinal. A vida não é um mar de rosas e nem um labirinto de espinhos - ela é um jardim onde há sol e tempestades, flores e espinhos, vida e morte - equilíbrio. 

Para aqueles que necessitam destes remédios - já em tratamento ou vão começar - não se enganem pensando que os antidepressivos são drogas de felicidade, a ilusão disso pode trazer recaídas e quedas que tornarão seu caminho mais difícil. Encare os medos das suas tristezas e frustrações, saiba que da mesma forma que elas chegaram, elas também se vão. Compreenda o equilíbrio da vida e a necessidade dos momentos ruins e, desta forma, eles se tornarão cada vez menores dentro da sua própria perspectiva.

Para aqueles que convivem com quem precisa das medicações, também não se enganem e não cobrem uma vida 100% feliz só porque alguém toma antidepressivos. Se a sua vida não é perfeita, porque a de outro alguém deveria ser? Respeite os momentos de dor e tristeza - a empatia é a chave de tudo. Também deixem os julgamentos de lado, não é porque alguém precisa de um comprimido para passar por alguns momentos que as alegrias dele é falsa ou de menos valor que a sua. Gosto de pensar na depressão como diabetes - a sertralina como a insulina. A absorção do açúcar de um diabético que toma insulina não é pior que a de alguém saudável, assim, a felicidade de quem toma antidepressivos também não é pior que a daqueles que não o tomam. 

Como dito aí em cima: a empatia é a chave para relações de respeito e prosperidades. Você jamais saberá com certeza tudo o que o outro passa - e ninguém jamais saberá o que você enfrentou - então é hora de entender sem julgar. Aprender. Respeitar.

Sábado, dia da gente reunir links bem especiais para vocês e o tema de hoje é para, além de animar o final de semana, inspirar vocês a mudarem, a conquistarem, a superarem. Algumas conquistas que mudaram histórias estão aqui para vocês.


HISTÓRIA DAS MULHERES DA RIO2016


DICA DE FILME SOBRE ATLETAS PARAOLÍMPICOS 


UM RELATO SOBRE RELACIONAMENTOS ABUSIVOS


UMA BREVE HISTÓRIA SOBRE STEPHEN HAWKING


ANTES E DEPOIS DA DEPRESSÃO


Bom galera, por hoje é isso! Espero que tenham gostado da seleção e que ela tenha inspirado vocês de alguma forma! É preciso sempre lembrar que as mudanças acontecem, queiramos nós ou não, e quando elas vem, nós devemos estar preparados para usá-las ao nosso favor. Não desistam galera, aproveitem as mudanças que a vida traz para aprender e crescer com elas. Bom final de semana pra vocês!!

Foto: diariodepre.tumblr.com


Oi pessoal! Hoje meu post vai ser um pouquinho diferente, quero falar de algo muito sério com vocês. O assunto de hoje são as diversas doenças mentais que nos afetam e que, muitas vezes, deixamos de lado por acharmos que é tudo bobeira, frescura ou "coisa da nossa cabeça". Bom, talvez seja coisa da nossa cabeça, mas não como você pensa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão será a doença mais comum do mundo no ano de 2030. Essa é apenas uma das diversas doenças e transtornos que são diariamente subestimados e até mesmo romantizados.

Um dos exemplos mais famosos da exaltação de uma doença mental foi o pico de popularidade do tumblr, onde era cool você ser bipolar ou depressivo, os textos e descrições de cada blog deixavam isso claro. Entretanto, pouco se entende realmente sobre estas doenças e dificilmente os adolescentes ali eram realmente diagnosticados com essas doenças ou mesmo buscavam tratamento. A questão aqui é que toda essa romantização acaba por gerar uma negligenciação daqueles que realmente sofrem dessas doenças.

Imagine você, sempre acostumado a ver mil e uma pessoas reclamando sobre ter isso e aquilo. Quando alguém realmente sofre daquilo, será que você ou mesmo a própria pessoa iria acreditar? Ou pensaria que é apenas mais um desse grupo que afirma passar por isso sem realmente saber? Entendeu onde eu quero chegar?

Não quero dizer que caso você se sinta assim, você não possa desabafar em nenhum lugar, muito pelo contrário. Você deve sim tirar isso do peito, mas deve também buscar ajuda pra compreender o que realmente está acontecendo com você e conseguir aprender como se tratar e melhorar. Vangloriar uma doença não vai ajudar, mas entendê-la, saber como apoiar quem tem e buscar um tratamento, sim!

Foto: Você Não Está Louca (Facebook)

Muitas vezes passamos por alguns quadros dessas doenças sozinhos, sofrendo sem ter apoio por termos vergonha, medo de parecermos loucos ou crianças mimadas cheias de frescura. É preciso parar não apenas com a romantização, mas também com o preconceito que giram entorno dessas doenças. Não é lindo ter depressão assim como também não é feio ter transtorno bipolar. É triste. É triste ter uma doença, seja ela qual for, e é mais triste ainda ter que passar por alguma delas sem ter o apoio necessário para curá-la.

Se você tem quaisquer dúvidas sobre a sua saúde mental, se você acha que há a mais remota possibilidade de você estar passando por algum quadro ou ter alguma doença crônica, por favor, busque um tratamento. Procure se orientar sobre o que está passando e tenha as forças para ir atrás da sua saúde. Meu bem, você não está louco e muito menos sozinho, você está doente como outras pessoas também estão e todos que passam por isso precisam e merecem respeito e um tratamento adequado para cada diagnóstico.
*Para quem quiser, deixo aqui a sugestão de uma página no Facebook que eu, particularmente, acho que trata maravilhosamente bem sobre estes e alguns outros assuntos: Você Não Está Louca

Foto: Capinaremos.com

Se você tem certeza que está bem, que não passa por nada disso, eu te peço encarecidamente que se informe. Procure, descubra, aprenda pelo menos um pouco sobre esse universo das doenças mentais e tenha um mínimo de empatia (como eu já expliquei aqui). Conhecer é não ter medo, é não julgar, é respeitar. Com a sua empatia você pode ajudar todos que passam por isso diariamente, auxiliar na orientação para um tratamento e, quem sabe, até salvar o dia e a vida de alguém. Doenças mentais não são brincadeiras, como o próprio nome diz, são doenças.

Foto: Edward Honaker

Hoje eu acordei com medo. Com medo de escrever, de respirar, de perder. Acordei com medo de olhar pro lado e ser mais um daqueles dias. Acordei e vivi mais um daqueles dias. Me tranquei num ninho de cobertas no sofá e tudo que pode me tirar de lá era a fome. Fui incapaz de lavar uma louça, de conversar com alguém, de viver um dia. Hoje, eu apenas existi. Não houve vontade, e muito menos forças, para fazer nada além de avançar alguns vários episódios de uma série policial, nada que me obrigasse a viver além da própria existência.

Hoje, que dia. Posso dizer que nada fiz, fisicamente, mas que dia. Acabo ele cansada, mais enferma que em dias de pura correria. Nenhum esforço físico me fez sair direito do sofá, belisquei algumas comidas, algumas mais frias que meu próprio peito, mas a cada pensamento minhas forças pra viver este dia se esvaíam. Cada puxada de ar me fazia sentir todo o peso do mundo em cima de mim, a cada respiração eu não aguentava mais. Eu não me aguentava mais.

Por entre horas semi acordada e dormindo, me perdi no tempo e mal pude perceber o sol se por ou os passarinhos parando de cantar, implorando pelo pão que sempre tem pra eles na janela. Não vi que horas os vizinhos acenderam a luz negra da varanda deles e mal me importei em ligar o globo de luz da minha, como faço as vezes pra brincar sobre as luzes fora do padrão e me deliciar nas viagens que as imagens coloridas me trazem. Por horas, eu apenas existi, permaneci num estado que me causa desconforto ao mesmo tempo que é tão confortável, que me impede de tentar sair. Hoje, eu não tive forças.

Não, não foi um dia de recaída por algum antigo amor, tampouco perdi um emprego ou peguei uma gripe que tenha me derrubado. Hoje foi nada se não um dia ruim. Hoje foi um dia de existência e não vivência. Hoje foi o que alguns chamam de "dia do cão". Hoje eu quis desistir de todas as minhas conquistas, quis jogar tudo pro alto e fugir de tudo que me cerca. Hoje eu tive um dia ruim, e por mais que eu odeie cada um destes dias, quando eles vem, eu sei que vai ficar tudo bem. Hoje eu tive mil e uma más vontades, mas tudo bem, pois eu não fiz nada disso.

Foto: Edward Honaker

Hoje foi um dia ruim e eu sobrevivi a ele novamente, como sobrevivi a todos que vieram e sobreviverei a todos que virão. Descobrir que dias ruins existem e que não há problemas em enfrentá-los gastando sua energia apenas pra trocar de série, ir ao banheiro e comer, foi uma das melhores coisas que fiz. Quando descobri isso, percebi que os dias ruins existem pra muita gente, e que eles vem e vão. Em algumas épocas, eles são mais frequentes e tudo parece impossível, como se nada fosse melhorar nunca mais. É nessas horas que a gente aprende a lutar.

A gente aprende que está tudo bem em lidar com alguns dias ruins da forma que lidei hoje, desde que esses dias ruins não sejam sempre assim, desde que você aprenda a levar os dias ruins pra longe. Viver pra apenas existir por algumas horas chega a ser necessário pra algumas pessoas, como é pra mim. Uma recarga das baterias, de quando nossa mente e coração estão tão exaustos, que toda a energia que a gente tem, literalmente vai pra nos manter sãos. Então, se você está em um desses dias ruins, vai lá, deita na sua cama, assiste suas séries, deixa de viver um pouco e recarrega suas energias que esse dia vai passar. Assim como eu perdi a noção do tempo, você também vai, e quando perceber um novo dia já vai estar aí e vai ser bem mais fácil, mesmo que ele não seja de todo bom, você vai ter mais forças e com o tempo vai aprender como lidar com cada um deles.

Pode ir lá, você precisa disso e está tudo bem com isso.